se perdeu por aí com seringas na mão.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Sentia-se carente, voou.

''[...] Nós nos despedimos e eu entrei. A medida que ia acelerando, eu ia perdendo eles de vista cada vez mais, até sumirem no meio da multidão e por um momento eu quis chorar. Era de noite já. E eu me lembro que tudo rodava. Eu via muitas pessoas em volta de mim, o barulho era insuportável. Mas apesar da vergonha pública de vomitar em ônibus circular, eu me sentia bem. Eu encostei minha cabeça e só pensava nas coisas boas que aquela cidade me proporcionava, enquanto isso eu sentia meu estômago muito ruim...e vomitei mais. Naquele momento, até pensar em cigarro me enjoava. Depois que o ônibus chegou, nós paramos e sentamos no meio da calçada. Àquela altura, nem me passou pela cabeça que ficar ali naquele lugar, a noite, era super perigoso. Eu estava sentada no meio-fio e só via rostos desconhecidos nos olharem. Voltamos para a rodoviária. Nossa, aquele lugar me causou pavor. Achei que fosse ser roubada ali mesmo e não iria conseguir voltar para casa. Sentei, olhei ao meu redor...tudo vazio. As poucas pessoas que passavam por ali, eram literalmente loucas e mal-encaradas. Meia hora depois, finalmente chegou o último ônibus que nos faltava para retornar. A primeira coisa que eu fiz foi me deitar na poltrona e vomitar mais. Vomitei tanto que no dia seguinte não conseguia nem engolir. E eu me lembro também, que enquanto em passava mal, eu sorria. Minha felicidade não acabava. Eu me sentia uma junkie, uma fudida, e finalmente, naquele dia, eu senti tudo aquilo que eu sempre quis sentir: Meu sangue correndo nas veias. [...]''


Eu estou de castigo, e meus pais não falam mais comigo. E depois de sábado, as coisas pioraram muito aqui em casa, mas eu não me arrependo em um só minuto. Eu me sinto viva, eu me sinto bem, eu me sinto feliz, eu me sinto realizada, eu me sinto com história pra contar. E quanta história em apenas um ano.

dancing with mr. brownstone.